Lo que los anillos de los árboles revelan sobre el cambio climático en la Amazonía

Estudo internacional analisa anéis de crescimento de árvores amazônicas e mostra que, nas últimas décadas, a região não seca de forma uniforme, mas enfrenta extremos cada vez mais intensos de chuvas e secas.

Pesquisador analisa anéis de crescimento de um mogno (Swietenia spp.). Crédito: Peter Groenendyk.
Pesquisador analisa anéis de crescimento de um mogno (Swietenia spp.). Crédito: Peter Groenendyk.

A Amazônia enfrentou, em 2024, uma das estiagens mais severas já registradas. O nível do Rio Amazonas em Manaus chegou a 12,68 metros, o mais baixo desde o início das medições, em 1902, superando inclusive a crise hídrica de 2023, marcada pela mortandade de botos no Lago Tefé.

Esses eventos extremos reacenderam um debate antigo: a Amazônia está, de fato, secando como um todo? A intensificação dos fenômenos El Niño e La Niña, somada ao avanço do desmatamento, tem alterado padrões atmosféricos e levantado dúvidas sobre o futuro do maior bioma tropical do planeta.

Diante da escassez de dados climáticos de longo prazo na região, pesquisadores decidiram buscar respostas em uma fonte pouco convencional: os próprios troncos das árvores amazônicas, capazes de registrar variações ambientais ao longo de décadas e até séculos.

Árvores como "arquivos do clima"

O estudo foi conduzido por cientistas das universidades de Leeds e Leicester, no Reino Unido, em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa). Eles analisaram anéis de crescimento de árvores por meio da dendrocronologia, método que permite reconstruir condições climáticas do passado.

Perobinha (Aspidosperma rizzoanum) com amostra retirada para pesquisa de dendrocronologia. Crédito: Peter Groenendyk.
Perobinha (Aspidosperma rizzoanum) com amostra retirada para pesquisa de dendrocronologia. Crédito: Peter Groenendyk.

Além de datar a idade das árvores, os pesquisadores examinaram isótopos de oxigênio presentes na madeira de espécies como o cedro e o arapari. Esses átomos funcionam como indicadores da quantidade de chuva recebida ao longo do tempo.

Os resultados revelaram um cenário mais complexo do que o esperado. Desde a década de 1980, a precipitação aumentou entre 15% e 22% durante a estação chuvosa, enquanto, na estação seca, as chuvas diminuíram de 5,8% a 13,5%.

Chuvas mais intensas e secas prolongadas

Segundo o biólogo Bruno Cintra, principal autor do estudo, não há evidência clara de que a Amazônia esteja secando de forma homogênea. O que se observa é uma amplificação da sazonalidade: períodos chuvosos mais intensos e estiagens cada vez mais severas.

Um dos diferenciais da pesquisa foi a análise de árvores de ambientes distintos, como florestas alagáveis e áreas de terra firme, o que permitiu comparar respostas ao regime de chuvas em diferentes contextos ecológicos.

Para o pesquisador Jochen Schöngart, do Inpa, eventos recentes corroboram essa tendência. As maiores cheias e secas registradas na Amazônia Central ocorreram quase todas nas últimas duas décadas, indicando um aumento dos extremos climáticos.

Passado, presente e ação humana

Estudos complementares mostram que secas e cheias sempre fizeram parte da variabilidade natural da Amazônia. No entanto, registros históricos e dados de anéis de árvores indicam que a intensidade e a frequência atuais são inéditas nos últimos séculos.

Pesquisadores destacam que o desmatamento desempenha papel central nesse processo, ao reduzir a evapotranspiração e a reciclagem de umidade, alterando o regime de chuvas regional.

Apesar da resiliência das florestas tropicais, o aumento das secas já provoca maior mortalidade de árvores e liberação de carbono na atmosfera. Para os cientistas, compreender esses sinais gravados nos troncos é essencial para prever o futuro climático da Amazônia — e do planeta.

Referências da notícia

Mongabay. O que os anéis de crescimento revelam sobre as mudanças climáticas na Amazônia. 2025